sexta-feira, 31 de agosto de 2012



Enigma do Outro

O que eu sou verei sempre no que és,
Mas o que és poderá sempre surpreender-me.
O que és por todo, verei apenas se transparecer-me, se não,
Só o que sou estarei vendo no que és, 
Independente do que sejas.

O que eu vejo em ti, é tudo que sou e mais um tanto,
O tanto é o que me surpreender.
Nem tudo o que és carrego dentro de mim,
Mas tudo que carrego em mim,
Tu sempre serás pra mim.

Tudo que tu és sou eu mais todo o resto,
Tudo que eu sou és tu segundo mim,
Portanto, nem tudo que vejo em ti sou eu,
Mas tudo que eu sou estarei sempre vendo em ti.

(Philip G. Mayer)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

"Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe" - Leonardo da Vinci



quarta-feira, 29 de agosto de 2012



"Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
«Constituição íntima das cousas»…
«Sentido íntimo do Universo»…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."
  
(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Hoje pude ir pela primeira vez aqui em Porto Alegre no evento “Fronteiras do Pensamento” que se realiza no salão de atos da reitoria da UFRGS uma vez por mês, assisti a uma palestra muito boa proferida por Michael Shermer, americano editor chefe da revista científica “Skeptic”. Lá acredito que descobri em essência o significado do termo “ceticismo”, e melhor ainda, pude ter um pouco mais de certeza de que sou o suprassumo do cético. Tanto isso é que até mesmo já me disponho a sonhar com a maravilha da realidade em si, mutável e misteriosa, pronta para ser revelada e descoberta a cada dia. Obrigado Michael Shermer por me proporcionar palavras que me fizeram refletir e crescer mais um tanto no que sou. Bravo ao duo maravilhoso da soprano Luísa Kurtz e o pianista Leandro Faber que abriram brilhantemente o evento com um momento musical e obrigado ao grande amigo coordenador do Fronteiras professor Francisco Marshall ao qual me convidou e eu finalmente pude assistir a uma palestra! Se puder com certeza ainda verei outras!

                                                                           Philip G. Mayer

           
            

domingo, 26 de agosto de 2012

Se o ser humano nunca perdesse a capacidade de se deixar surpreender, a "obviedade", esse termo infeliz, nunca teria existido... 

                                                                              Philip G. Mayer


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ontem estive juntando tudo que eu já havia escrito em documentozinhos de Word e tinha salvado e espalhado aqui pelo meu PC. Credo, não sabia que já tinha tanta coisa escrita... Confesso que até me deu vontade de lançar um livrinho. hehehe Enfim, provavelmente vá postando por aqui revisadamente e em doses homeopáticas.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Bueno, por enquanto o nome do blog é esse, meu nome... rsrs Mas, talvez ainda eu mude, e mude, e mude......ou nunca mude...