quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Friedrich Nietzsche por Clóvis de Barros Filho

A algum tempo já vinha pensando em postar por aqui a maravilhosa explanação da filosofia de Nietzsche proferida pelo professor Clóvis de Barros Filho na Escola de Comunicações e Artes da USP. Explanação que considero até hoje a melhor que já vi sobre o filósofo, o professor vai diretamente de encontro ao pensamento de Nietzsche e o desmistifica em uma linguagem claríssima e acessível a todos que avança passo por passo, etapa por etapa pelo universo nietzscheano. O curso é uma verdadeira obra de arte realizada por Clóvis com uma abordagem e uma didática excepcionais sobre um filósofo que pela profundidade e magnanimidade que alcançou infelizmente não é raro a mistificação que recebe até hoje.     

São três aulas divididas em três vídeos totalizando cerca de quatro horas e trinta minutos de curso. Coloquei em ordem os endereços do site Vimeo onde estão os vídeos pois não consegui postá-los diretamente aqui.

Bom, sirva aquele vinho agradável, aconchegue-se bem em sua poltrona e desejo uma excelentíssima viagem adentro do universo de Nietzsche!

Primeira aula "O Martelo de Nietzsche":

http://vimeo.com/79903670

Segunda aula "Negar a Fórmula, Viver a Vida":

http://vimeo.com/80376748

Terceira aula "Eterno Retorno, o Amor à Vida":

http://vimeo.com/80514735





 


domingo, 14 de setembro de 2014

Modernidade e Pós-modernidade

Inspirado em Schopenhauer no seu “O Mundo como Vontade e Representação”, grande obra que influenciou enormemente a filosofia de Nietzsche que por sua vez veio a se tornar o pai (ou seria avô?) da pós-modernidade, faço então uma distinção sintética entre as formas moderna e pós-moderna de pensar a realidade: se você tende a acreditar que os objetos (coisas, fenômenos) são efeitos onde a causa é o sujeito (nossa capacidade de pensar e perceber o mundo) e que o sujeito por sua vez este como um ente soberano provém unicamente de uma realidade ou fonte metafísica como, por exemplo, um mundo espiritual ou mesmo Deus, então você pensa o mundo de forma moderna. Se você tende a acreditar que o sujeito em si já ele mesmo é um objeto sob a influência de outros objetos mundanos, ou seja, o sujeito como um agregado e efeito dos próprios objetos do mundo (sem necessariamente ter de desprezar aqui a possibilidade de haver também a influência de alguma suposta realidade metafísica), então você pensa o mundo de forma pós-moderna.

O que o mundo representa mais pra ti? Um efeito ou uma causa da tua percepção?

Você acha que é soberano para pensar o mundo? Ou é o mundo mesmo que permanentemente se põe a esculpir os teus pensamentos?
                                                                                    
                                                                              Philip G. Mayer





domingo, 7 de setembro de 2014

O Corpo

O corpo... esse desprezado e esquecido por séculos, tornado mendigo moribundo ou no máximo invólucro para “almas e espíritos” sendo esses dois últimos tratados como únicas verdadeiras relíquias que teríamos e suporíamos serem soberanas e independentes de quaisquer influências do mundo material... ou então tente discordar de um católico medieval ou alguns espíritas atuais para ver o que é bom pra tosse... pra essa gente tu dizer que somos seres influenciados por todos os fenômenos deste mundo daqui mesmo desde a luta de classes marxista até o fedor de cebola que vem do almoço do vizinho, desde a infância corrompida freudiana até a prisão de ventre, desde a vontade de Schopenhauer até o carro que passou pela nossa rua tocando “Belo” a todo o volume, tudo isso soa como uma blasfêmia contra a desesperada ânsia de se crerem espíritos independentes dessas coisas que só mexem com seres “involuídos”, por isso que quando flagrados sob a influência dessas inevitabilidades mundanas ficam ou amedrontados ou furiosos... é a superstição que mais uma vez cai e então desespera... é a crua realidade que mais uma vez patrola o desespero por qualquer verdade metafísica de “ter que haver algo por trás disso tudo e que se soubermos então nunca mais teremos nenhum problema e viveremos felizes para sempre”, nega-se o mundo real em prol de um mundo fictício, acredita-se em contos de fadas, nega-se a natureza inteira em prol de um espelhinho que só venha mostrar a nossa vontade doente e franzina de achar como as coisas deveriam ser a todo o custo, e ai do espelho se tiver defeito! Pois bem, quantas vezes pensamos em alguma coisa ou espectro de coisas, quantas vezes nos movemos em direção a algum lugar ou espectro de lugares, isso durante um dia inteiro, durante um mês, um ano, em um correr dos anos... e uma vez contemplada alguma conclusão aqui, coloquemos ao final ainda aquela palavrinha mágica “por quê?”... esse porquê é o espaço que abrimos agora para que deixemos uma vez o corpo nos falar suas razões, e pode acreditar, na imensa maioria das vezes, ele tem mais razão do que crê a nossa tola razão...

                                                                             Philip G. Mayer