quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O Moderno Romântico Pós-moderno

    Fenômenos da nossa pós-modernidade: a democratização da informação cada vez maior faz com que o pensamento dogmático hoje seja transposto para a esfera religiosa tornando-se um assunto de cunho pessoal ou então descambando inevitavelmente para mera tentativa brega de “revelação”. Por outro lado, o sujeito agora é cético em relação a qualquer método que se desenvolva para constatar verdades, seja ele qual for. Mas o que esse sujeito percebe (e na maioria das vezes de forma um tanto romântico abstrata) é o que ainda ele quer que seja uma lei impessoal, devendo valer a todos, e se questionado quais critérios se utiliza para dizer o que diz, se enfurece. Sim, pois na medida em que é necessário averiguar as premissas que se toma para pronunciar a natureza da realidade é inevitável que também se tenha de questionar o sentido do próprio método que se está utilizando colocando a si próprio como objeto de estudo no fio da navalha, e constatando o quão é extremamente fácil permanecer igualmente religioso como um típico moderno do século XIX. 

                                                                          Philip G. Mayer 


domingo, 16 de agosto de 2015

Cuidado! Um inimigo passou para o teu lado!

    Na ética, quando defendemos princípios de conduta, isso quer dizer que estamos defendendo um conjunto de valores que acreditamos que se o ser humano os seguisse ele passaria a viver melhor, esse é o tipo de ética chamada “deontológica”, isso é, aquela que confere o valor de uma ação na sua intenção, e não na sua consequência. Um exemplo de deontologia que coroou a modernidade é a ética de Kant (o valor de uma ação finca-se na intenção do agente em satisfazer as necessidades universais na posição de um legislador universal. Ou, dito aqui de forma pragmática, a ação boa para Kant é aquela que, após estarmos suficientemente informados sobre o que é necessário fazer para que todos possamos viver melhor, buscamos cumprir tal função que possui seu fim no bem estar da humanidade). Éticas que valorizam a ação na sua consequência são chamadas éticas “consequencialistas” como é o caso do “utilitarismo” (o valor da ação encontra-se no quanto ela é capaz de produzir felicidade para o maior número de pessoas possível) ou o “pragmatismo” (o valor de uma ação encontra-se no que ela produz de resultado prático no mundo). Muito bem, quando postulamos princípios éticos levando em conta o modo deontológico da ética, é bom observarmos aqueles que não nos apoiam em tais princípios, estes estarão nos informando sobre o que é que se trata propriamente aquilo de que nós não concordamos e/ou estamos atacando. Do mesmo modo, é bom observarmos aqueles que nos apoiam em tais princípios, estes estarão nos informando sobre o que é que se trata propriamente aquilo de que estamos defendendo. Precisamente neste segundo caso é que pode advir uma sutileza que nem sempre é de conhecimento natural da nossa parte. Não se trata de estratégia inimiga, mas é mais profundo que isso e vale a atenção:

    As pessoas são o espelho das nossas concepções éticas. 

    - Procure sempre observar quem se posiciona ao teu lado, pois esse perfil tem o poder de apoiar a ti até mesmo naquilo em que pra ti pode não ser de consciência imediata, mas que também se faz presente dentro de ti constituindo o que defendes sob alguma outra perspectiva talvez inconveniente! Perspectiva que se faz presente em um recanto obscuro da inconsciência onde somente a visão de um outro poderia reconhecer. E esse elemento inconsciente pode ser justamente o fator causa que encanta o perfil que te apoia! É exatamente nesse momento que em alguma situação podes te surpreender contigo mesmo ao levar um susto no notar determinado perfil de pessoa que tinhas pra ti como antiética te apoiando no que dizes. É o autoconhecimento por intermédio do outro que aflorou em ti. Viste alguém te apoiando no que dizes, mas para tua surpresa não compartilhavas em nada quaisquer concepções éticas com esse perfil em que eram claras as divergências entre o que ele e tu defendiam até então. É esse perfil que te fará remeter a ti mesmo e questionar ainda mais uma vez o que é realmente que estás querendo dizer no que tange ao resultado pragmático do que defendes.    

                                                                          Philip G. Mayer